
Infelizmente, os medicamentos considerados como analgésicos e antitérmicos (indicados para controlar a dor e a febre, respectivamente - conhecidos também como anti-inflamatórios não esteróides) são extensamente transformados pelo fígado. Aproximadamente, menos de 5% da quantidade inicial ingerida é eliminada na forma ativa. Por essa razão, a decisão de usar qualquer analgésico e antitérmico, substâncias anti-inflamatórias, vem da análise entre os benefícios e os riscos do uso do medicamento. Nesse caso, é importante que os benefícios (melhoria dos quadros de dor e febre, por exemplo) sejam maiores que os efeitos indesejáveis (muitos deles relacionados à sangramentos e dor no estomâgo e lesões hepáticas).
Exames bioquímicos realizados através da análise do sangue podem determinar como o fígado está trabalhando. As transaminases, enzimas responsáveis pela metabolização que ocorre no interior das células do fígado, são consideradas essenciais para a análise desse orgão. Quando o fígado está sobrecarregado, ocorre liberação dessas enzimas do interior das células para a corrente sanguínea, aumentando seus níveis na circulação. O diagnóstico dessa sobrecarga, isto é, o controle da atividade do fígado está mais relacionado aos exames bioquímicos do que à simples avaliação dos sinais e sintomas no paciente. Os anti-inflamatórios não esteróides devem ser suspensos nas seguintes situações: aumento das aminotransferases, uma das transferases, maior que três vezes o valor de normalidade; diminuição da concentração da albumina (proteína produzida pelo fígado que se liga aos medicamentos na corrente sanguínea) ou se o tempo de protrombina (parâmetro da coagulação do sangue - relacionado à função do fígado) estiver prolongado.
Deve-se ter um cuidado especial em relação aos produtos naturais (prepações como chás, infusões e extratos a partir de plantas que tenham, ou não, ação comprovada), pois grande parte das substâncias extraídas das plantas sofre extensa transformação pelo fígado. Dessa maneira, a análise risco-benefício deve ser avaliada para cada substância.
O médico deve solicitar os exames bioquímicos de controle e monitorização do fígado e através da avaliação do estado desse orgão, o profissional pode propor tratamentos e outras abordagens para amenizar a sobrecarga hepática. Em alguns casos, como quando não é possível aliviar o fígado, o médico pode fazer o ajuste da dose do medicamento, reduzindo, por exemplo, a quantidade ingerida pelo paciente.
Referências:
Jones, A. Over-the-counter analgesics: a toxicology perspective. Am J Ther. v.9(3), 2002.
Monteiro, E.C.A., et al. Os antiinflamatórios não esteroidais (AINEs). Temas de Reumatologia Clínica. v.9, 2008.
Deixe um comentário:
0 comments: